Como ser um doador de córnea

Tire suas dúvidas e saiba mais sobre a importância deste ato solidário

A doação é fundamental para que muitas pessoas possam recuperar a visão (ou experimentar esta sensação pela primeira vez). Para ser um doador, no Brasil, não precisa mais registrar a opção de doador de órgãos na carteira de identidade. Basta expressar seu desejo para seus familiares (irmão, cônjuge, pai, mãe, filhos, avô, avó e netos). São eles que, respeitando a sua vontade, podem autorizar a doação, na presença de duas testemunhas.

O que é preciso saber para ser um doador

1. Posso ter certeza do diagnóstico de morte encefálica?

Sim, o diagnóstico de morte encefálica é realizado por meio de um protocolo regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina. São realizadas duas avaliações clínicas por médicos diferentes. Além disso, o protocolo exige a realização de um exame comprobatório (que não é exigido em alguns países).

Tudo isso faz com que o Brasil possua, atualmente, um dos sistemas mais rígidos de comprovação da morte encefálica.

2. Quem pode doar?

Pacientes que tiveram morte por parada cardíaca em um tempo inferior a 6 horas ou morte encefálica (com idade entre 2 e 80 anos).

Não impedem a doação:

  • Uso de óculos ou lentes de contato, miopia, hipermetropia e astigmatismo;
  • Pessoas que tiveram conjuntivite, mas já foram curados;
  • Câncer que não seja leucemia, linfoma ou câncer no olho.

Contra-indicações:

  • Endocardite bacteriana;
  • Hepatites B e/ou C;
  • HIV (AIDS);
  • Infecção generalizada;
  • Linfomas ativos e leucemias;
  • Morte de causa desconhecida;
  • Raiva;
  • Algumas doenças em atividade, como sífilis ativa e leptospirose.

3. Os pacientes que têm catarata ou glaucoma podem ser doadores de córneas?

Sim. Mesmo pessoas totalmente cegas, mas com córneas saudáveis, podem doar. Não há relação entre falta de visão e ser apto a tornar-se um doador.

4. Todas as pessoas cegas podem ser beneficiadas por uma doação de córneas?

Não. Há doenças que causam cegueira devido a alterações de outras partes do olho.

5. Retira-se o globo ocular todo?

Sim, pois além da córnea (parte transparente), a esclera (parte branca) também é utilizada nos transplantes.

6. Quais são os resultados físicos no doador?

Não há desfiguração após a doação, no entanto, conforme a causa do óbito, a área abaixo dos olhos pode ficar levemente arroxeada. As cavidades são preenchidas com gazes, o que mantém a forma do globo.

7. Para quem irá a córnea?

A córnea é distribuída pela Central de Transplantes, conforme a ordem da lista única, coordenada pela Secretaria Estadual de Saúde e auditada pelo Ministério Público.

Critérios para seleção do doador:

  • Histórico (triagem);
  • Exame físico;
  • Testes sorológicos.

8. Quanto tempo demora?

A retirada dura aproximadamente 30 a 40 minutos. Pode ser feita de 6 a 24h (se o doador estiver sob refrigeração) após o falecimento. A córnea pode ficar armazenada por até 14 dias.

Fonte: Ministério da Saúde e Banco de Tecidos Oculares do Hospital São Paulo/Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)